A Fábula do Bode e da Onça
Numa floresta grande e verde, vivia uma onça orgulhosa e forte.
Ela se achava a dona de tudo e dizia para os outros animais:
— Ninguém é mais esperto nem mais poderoso do que eu!
Certo dia, a onça encontrou um bode pastando tranquilamente perto de um rio.
— Ei, bode! — rugiu a onça. — Sai daqui! Este lugar é meu!
O bode levantou a cabeça com calma e respondeu:
— Bom dia, onça. Eu só estava comendo um pouco de grama. Não pretendo ficar muito tempo.
A onça riu alto:
— Você é pequeno e fraco. Eu poderia te pegar com uma só pata!
O bode não se assustou. Olhou para a onça e disse:
— É verdade que você é forte. Mas a força não é a única coisa importante. Às vezes, a inteligência e a calma valem mais.
A onça ficou irritada:
— Então prove! Vamos ver quem consegue atravessar esse rio perigoso primeiro. Quem chegar do outro lado vence!
O rio era largo, com correnteza forte e pedras escorregadias. A onça, confiante, saltou na água e começou a nadar com força. Mas a correnteza a puxava, e ela gastava muita energia brigando contra a água.
O bode, por sua vez, observou o rio com atenção. Encontrou um trecho mais raso, onde as pedras formavam um caminho quase natural. Com passos firmes e cuidadosos, foi atravessando de pedra em pedra, sem pressa.
Quando a onça finalmente chegou do outro lado, cansada e molhada, encontrou o bode já esperando, calmo e seco.
— Como você chegou primeiro? — perguntou a onça, surpresa.
O bode sorriu:
— Eu não lutei contra o rio. Eu o respeitei e usei o caminho que ele mesmo oferecia. A força é importante, mas a inteligência e a paciência também são.
A onça ficou em silêncio por um momento. Pela primeira vez, baixou a cabeça e disse:
— Você tem razão, bode. Eu aprendi uma lição hoje. A força sem sabedoria pode nos fazer perder.
A partir daquele dia, a onça e o bode se tornaram amigos. A onça aprendeu a ouvir mais e a respeitar os outros animais, e o bode ganhou a proteção de uma grande amiga.
Moral da história:
A força é valiosa, mas a inteligência, a calma e o respeito são ainda mais poderosos. Quem sabe usar bem o que tem, sempre encontra o melhor caminho.
Escritora Luzia Couto
10/08/26
Lei 9.610/98
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