A Lenda da Lua de Prata
Há muitos séculos, quando as montanhas ainda conversavam com o vento e os rios guardavam segredos, existia uma pequena aldeia cercada por uma floresta encantada. Todas as noites, a lua brilhava tão forte que as folhas das árvores pareciam feitas de prata.
Os moradores acreditavam que aquele brilho vinha de uma pedra mágica escondida no coração da floresta: a Pedra da Lua.
Diziam que a pedra possuía um poder extraordinário. Quem a encontrasse poderia realizar um único desejo. Porém, havia uma condição: o desejo deveria beneficiar outras pessoas, nunca apenas a si mesmo.
Muitos aventureiros tentaram encontrar a pedra. Alguns buscavam riqueza, outros fama. Nenhum deles conseguiu.
Certa vez, uma grande seca atingiu a aldeia. Os rios diminuíram, as plantações morreram e a esperança começou a desaparecer.
Nessa época vivia uma jovem chamada Elisa. Ela não era forte nem rica, mas tinha um coração bondoso. Ao ver o sofrimento de sua gente, decidiu procurar a Pedra da Lua.
Durante sete noites e sete dias, Elisa atravessou a floresta. Encontrou lobos de olhos dourados, pássaros que falavam em enigmas e árvores que mudavam de lugar quando ninguém as observava.
Finalmente, chegou a uma clareira iluminada por uma luz prateada. No centro estava a lendária Pedra da Lua.
Uma voz surgiu do céu:
— Qual é o seu desejo?
Elisa poderia ter pedido riquezas, juventude eterna ou qualquer tesouro imaginável. Mas respondeu:
— Desejo que a água volte para minha aldeia e que ninguém passe fome.
A pedra brilhou intensamente. Um raio de luz subiu até a lua e, naquele instante, nuvens cobriram o céu. Uma chuva suave caiu sobre toda a região.
Os rios voltaram a correr, as plantações renasceram e a aldeia prosperou novamente.
Quando os moradores procuraram Elisa para agradecer, ela havia desaparecido.
Conta a lenda que a Lua, tocada por sua generosidade, transformou a jovem em uma estrela prateada. Nas noites mais claras, é possível ver uma estrela brilhando ao lado da lua cheia.
Os antigos dizem que é Elisa observando a aldeia, lembrando a todos que os maiores poderes não estão na magia, mas na bondade.
Moral da lenda: Quem usa seus dons para ajudar os outros deixa uma luz que nunca se apaga.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
26/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
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