Literatura | Romance | Amor aos 60.

   Ivone era uma moça simples e bela, de família humilde e sem estudos andava perdendo a esperança de conseguir um namorado, as moças da vila viviam a criticar dizendo que ficou para a titia, e quem ninguém acharia em seu borralho. A moça andava triste e desanimada, quando saia na rua para ir ao mercado ia sempre de cabeça baixa e não falava com ninguém, sua mãe uma senhora de idade andava muito preocupada como será quando me for deste mundo, sua filha pobre ficando velha e sozinha, a mulher sempre pedia em suas orações para Deus preparar um marido para filha, não gostaria de partir sem antes ver a filha com um marido pois assim partiria feliz sabendo que ela não estaria sozinha. Mas tudo que Ivone sabia fazer era cuidar da casa de sua mãe, era muito carinhosa com a mãe, as vezes a mulher dizia filha vai na igreja, nas festas eu estou bem não precisa ficar o tempo todo me vigiando, mas a moça gostava mesmo era de ficar em casa e assistir TV. Um dia pela manhã a mulher estava em uma de suas crises asmáticas e a filha não estava bem sentia fortes dores de cabeça, era necessário as duas irem ao médico. Mas como fazer agora mamãe, chamaram um táxi e foram ao hospital mais próximo.
Alzira a mãe de Ivone ficou internada e a moça foi medicada e voltou para a casa, depois de melhorar voltou ao hospital e ficou com a mãe, muito tímida ela sentou numa cadeira e só respondia o que lhe perguntavam a mãe vendo a filha ali sentada na aquela tristeza pensou oh Deus liberte minha filha desta tristeza e desse comodismo faz dela uma mulher alegre e feliz. Terminou seus pensamentos dormindo novamente sob os efeitos da medicação, a noite chegou e Ivone saiu foi em casa se banhar e preparar para passar a noite com a mãe, na rua quando passava foi parada várias vezes para fornecer informações sobre a mãe, mas adiante quando já estava na vila foi parada por um carro cujo motorista gritava seu nome, assustada ela olhou um homem bem velho e gordo careca saiu do carro e de braços abertos dizia prima que saudade você continua linda. Ela sem entender nada seguiu seus passos, mas o homem disse com voz firme e autoritária, sua má criada pare aí a tia não lhe deu educação. Ela parou e mal conseguia respirar, ele se aproximou deu um abraço que Ivone sentiu o membro grande do primo lhe encostando e lhe causou um calor. Eu sou o Felipe se esqueceu de mim vim passar uns dias aqui com vocês estou de férias e como fazia tempo não via titia vim a pedido de minha falecida mãe. Ela sem jeito lhe disse minha mãe está no hospital e eu estou indo em casa tomar um banho e voltar para cuidar dela.
O primo acompanhou a moça até o hospital e chegando lá Alzira ficou emocionada ao ver o sobrinho que fazia mais de 30 anos não a via e depois de falarem bastante resolveu dizer algo surpreendente a Felipe, meu filho estou no fim da vida e sei que você é um homem bom e está viúvo queria muito que se casasse com sua prima Ivone assim ela terá um marido bom e eu poderei morrer em paz. A moça disse mamãe como pode dizer isto? Eu não estou procurando marido mas lembrou do calor que sentiu quando Felipe lhe abraçou e voltou atrás dizendo a senhora sabe o que faz, eu só obedeço como sempre o fiz. O homem foi para um hotel e a moça permaneceu ao lado da mãe, na manhã seguinte ela teve alta voltou para casa e decidida a realizar o casamento da filha com o sobrinho, tão logo chegaram Felipe já aguardava por elas, depois de muita conversa e muita explicação Ivone aceitou se casar com o rapaz, ele tinha um filho casado e ela era solteira com uma certa idade, mas muito bela. Marcaram a data Felipe estava muito feliz sempre teve uma quedinha pela prima, ela cada vez que ganhava um beijo do rapaz se encalorava toda e ficava vermelha, Alzira fez um esforço e realizou o casamento da filha que agora fazia inveja as moças da vila, o marido era velho mas tinha dinheiro carro e casa muito chique na cidade, eles se mudaram e Alzira até melhorou da asma a vila era de terra e muita poeira, agora viviam na cidade grande e Ivone estava vez mais apaixonada pelo seu carequinha que a cobria de mimos, as primas irmãs de Felipe gostaram muito dela, sempre souberam que o irmão gostava dela, mas ela agora estava mesmo é querendo recuperar o tempo perdido adorava sentir calor quando ganhava abraços e sempre dizia a seu amor vamos tirar o atraso não me faça esperar mais. Assim eles viviam felizes e Alzira morreu deixando a filha alegre e feliz como pensou na noite do hospital.


Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis.