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Literatura | Conto | A tulha da fazenda.

   O fim de tarde que aproximava e Ilma. sentia medo de continuar só uma casa grande e ninguém por perto, seu marido havia viajado embora não quisesse, mas o trabalho exigia viagens, e ela não tinha filhos eram recém-casados, uma fazenda onde seus sogros moravam, quando se casaram eles mudaram deixando o jovem casal na casa. Antes de sair. Tildo disse a esposa qualquer coisa vá para casa de meus pais na cidade, mas ela sentia vergonha de ter medo, achava que uma mulher precisava ser forte e corajosa o bastante para viver o casamento e todas as consequências que vinham junto. Pensando assim pegou seu tricô e foi tecer, depois quando a noite chegou preparou algo para comer trancou toda a casa e sentou para assistir televisão enquanto tricotava, o telefone tocou era sua mãe que dizia sentir saudades da filha e estava pensando em visita-la no fim do ano. Ela morava longe em outro Estado. Bem tarde Tildo ligou para saber da esposa e ficou até animado com Ilma., ela estava falante e parecia bem-disposta, mas bastou desligar o telefone para o medo chegar, ela precisou deitar e cobrir bastante para parar de tremer, pensava em bichos, fantasmas, assaltantes, malfeitores menos que Deus que estava com ela. Alta madrugada cansada de ficar enrolada nos cobertores e muito suada decidiu tomar um banho e tentar dormir, o dia já ia raiar agora o medo trava acabando.
     Quando acordou passava das 09 horas e precisava ir à cidade suas férias do trabalho estavam acabando tinha que terminar as peças que tecia, ia comprar mais linhas e convidar sua prima e tia para passar o fim de semana com ela, assim não ficaria só novamente. Depois de fazer as compras foi a casa da tia que se desculpou por não aceitar o convite, mas prometeu ir quando desse, a prima estava com namorado e também não quis ir, voltou para casa aborrecida, imaginando mais três noites sozinha vou morrer, é muito tempo. Sua sogra ligou e se ofereceu de ir ficar com ela, toda alegre disse venha mesmo vou preparar um delicioso jantar para nós. A noite quando Marluce chegou ela havia preparado uma carne assada e uma salada agridoce muito saborosa. As duas jantaram tomaram um bom vinho e bem tarde foram dormir, no meio da noite ouviram um barulho vindo dos fundos das tulhas onde guardava café limpo, feijão, arroz sem limpar e milho. Elas ficaram ouvindo em silêncio e depois adormeceram, pela manhã foram ver as tulhas pareciam tudo em ordem, depois do almoço resolveram cavalgar um pouco e foram até uma fazenda próxima onde morava uma comadre de Marluce, ao longo as margens do rio enquanto seguiam em direção a fazenda observaram que havia grãos de arroz com casca caídos ao chão, mas nem pensaram ser de suas tulhas. Após a visita depois de conversarem bastante e comerem biscoitos de polvilho fritos na hora voltaram para casa.
     Mais um jantar e umas taças de vinho, falaram ao telefone e foram dormir, novamente o barulho elas nem tinham dormido ainda, novamente das tulhas, mas desta vez o café cheirou quando mexeram para retira-lo do caixote, elas deram conta que estavam sendo roubadas, aí caiu a ficha, os grãos de arroz na estrada eram da noite anterior, a sogra num pulo saltou da cama pegou seu revolver dentro da bolsa pulou no terreiro, correu em silêncio enquanto Ilma. Chorava e ligava para Tildo. Marluce estava acostumada atirar em gavião no quintal, chegou na tulha dois homens um clareava com a lanterna o outro tirava o café e colocava no saco, já havia um saco com uns 35 kg em média, ela deu um tiro para o alto e um nos pés do homem que enchia o saco, o outro saiu correndo mas levou um tiro na canela e caiu, agora Ilma. Saiu acendeu todas as luzes e ligava para o sogro e polícia, ao ver o rosto dos homens que não tiveram como fugir estavam desarmados e a mulher tinha os dois em sua mira, elas ficaram perplexas era os meeiros da fazenda do compadre, elas os conhecia, envergonhados por serem pegos roubando e ainda apanhados por uma mulher eles taparam os rostos e as pernas sangravam Ilma. Trouxe uma toalha e jogou por cima até a polícia chegar, o sogro chegou primeiro deu um beijo na mulher e disse esta é minha velha, com seus 65 anos ainda faz caçada, a polícia não demorou muito a chegar tildo pediu para sua mãe não prestar queixa, os homens já estavam envergonhados e humilhados o suficiente, deveriam nunca mais querer voltar lá. Mas a polícia os levou para fazer curativos e deu uma bronca boa neles, os três foram para dentro e resolveram tomar uma taça de vinho, o sogro falou a nora, aprenda com sua sogra ela sempre foi valente, ficava sozinha aqui o tempo todo eu e seu marido vivíamos viajando comprando café e revendendo. Aprenda uma coisa precisa dominar o medo, assim sentirá corajosa e valente.

Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis.

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