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Literatura | Conto | Ceia de Natal em família.

     A família de Dinorá se reunia todos os domingos para o almoço, era tradição todos reunirem na casa da mulher matriarca da família. Os homens cuidavam da churrasqueira e das bebidas, aves assadas inteiras e pernis de porco, eles criavam e abatiam só para este fim os encontros familiares, os freezers sempre estavam cheios, as mulheres cuidavam das comidas e sobremesas, elas tinham muito que trabalhar além das comidas e doces, tinham que limpar a casa grande as varandas onde comiam e lavar toda louça. Sempre existia uma mais cansada querendo encostar um pouco, dona Dinorá não admitia ninguém ficar parado enquanto outro trabalhava, todos trabalham e depois todos descansam. As regras eram seguidas à risca, os netos que passavam de 60 faziam a festa, na casa da vó sempre puderam tudo, os mais velhos iam aprendendo e deixavam as travessuras para os novos. As moças se sentavam nas redes embaixo das fruteiras e comentavam os estudos e namorados, enquanto os rapazes comentavam dos jogos e da apegação com as mulheres. Quando a noite chegava e cada um votava para casa a senhora com seus 88 anos ficava com o filho caçula e a nora com quem morava, após todos os filhos casarem Luís ficou na casa com a mãe, e quando se casou já havia combinado com Gladys que morariam com a mãe, a moça não incomodou gostava da sogra, seus pais haviam morrido e deixado ela sem família muito nova, assim teria uma mãe segunda. Fazia um tempo tinham se casado, mas ainda não tinha filhos, ela tinha dificuldades para engravidar devido à idade. Estavam em tratamento para conseguir um bebe.
     O domingo era muito esperado por Gladys e Dinorá, elas sentiam bem com a casa cheia e com muitos risos, depois que todos iam elas sentavam em frente ao computador e editavam as fotos do dia, depois reviam os anteriores assim achavam os erros e faziam brincadeiras para o próximo domingo. As filhas da matriarca eram 09 todas tinham mais de 06 filhos e os filhos eram 05 e todos menos Luís tinha mais de 04 filhos, a família crescia todo ano praticamente quando uma neta se casava e mulher tinha vários bisnetos casados, a família começava logo cedo durantes várias gerações fora assim. Filomena a filha mais velha estava com seus 72 anos e seus filhos eram muito felizes pois ela tinha saúde e trabalhava costurando para fora ainda, seus netos adoravam ela a chamavam de vó Filó. Dinorah sempre em conjunto com as filhas comprava presentes para todos, quando aproximava as datas comemorativas eles faziam amigo secreto para conseguir presentear todos, estipulavam um valor e todos concordavam. As mulheres sempre lucravam ganhavam mais presentes que os homens, eles viviam reclamando que ainda inventariam uma data especial para eles para alcançar o tanto de presentes das mulheres.
    Natal era a época favorita de todos teriam muitas festas e muitos presentes, o natal deste ano seria melhor teriam novidades que a matriarca ainda não havia revelado e também e os jovens enamorados levariam seus amados para a festa, iria ficar cara este natal. Mas ninguém reclamava todos trabalhavam e Dinorah tinha a pensão do falecido que era nada ruim fato dele ter se aposentado como prefeito da cidade. Ela e Gladys tinham feito uma viagem a cidade vizinha e comprado um presente para um da família ficou caro mas valeria a pena, talvez fosse o último natal que estivesse viva disse a mulher, ando meio cansada e não é de costume eu me cansar, pode ser um aviso que minha hora está chegando, a nora pediu nunca fale assim por favor, eu preciso que conheça minha Elizabeth ainda vou conseguir sogra. Elas lotaram a caminhonete com tantas caixas e voltaram para a casa, na estrada encontraram um dos filhos que interrogou porque tonou a picape mamãe? Por nada seu curioso, mas o filho sabia que havia algo notou um brilho nos olhos da mãe. A semana que antecedia o natal começou muito animada todos ajuntaram para dar uma geral na casa grande como a chamavam era uma fazenda feita com madeiras e assoalho, só as varandas enormes que circulavam toda casa eram de cerâmicas, depois de pintar toda casa grande chegaram as varandas, as mulheres faziam polvilho e farinha de mandioca, as moças preparavam todas as frutas para os doces, Luís resolveu que mataria um boi para o churrasco da noite de réveillon o que todos concordaram comprariam muitos fogos de artificio seria uma noite espetacular. Na esperada ceia de natal a família toda reunida e muitas histórias, os jovens curtiam o som do momento e as crianças mais novas assistiam os filmes antigos de desenhos da época de seus pais, alguns quiseram reclamar, mas ai de quem ousasse, a noite estava apenas começando seria muito feliz o natal deste ano, não que os outros foram ruins, mas porque este Gladys e Luís revelariam que conseguiram encomendar a Elizabeth, depois de 09 anos tentando conseguiram. Na hora dos presentes foi um show, muitas fotos e poses, todos sem exceção ganharam presentes, diferentes, mas o valor comercial igual, Dinorá não admitia diferenças, foi um trabalhão para elas conseguirem, gastou muitas idas na cidade para realizar a façanha. As mulheres ganharam um porta joias com o brasão da família, e os homens ganharam um aparelho de barbear daqueles antigos também desenhados o brasão da família, eles teriam uma lembrança pra toda vida se soubessem cuidar, os mais novos ganharam aparelhos celulares , foi uma noite memorável após a revelação da gravidez foi a hora de Gladys distribuir os presentes que ela mesmo fez para cada um era uma lembrança em comemoração à gravidez tão esperada, ela havia feito bonequinha e bonequinhos para todos, havia feito roupinhas de tricô e rendinhas, com o nome de Elizabeth e nos bonequinhos Arthur que era o nome do pai de Luís, depois de tudo já passava das 03 da manhã Dinorá estava exausta e queria dormir, assim o dia amanheceu e ninguém saiu seria o bate palhada como diziam na região, alguns deitaram nas redes e onde podiam, dormiam um pouco enquanto os outros queria mesmo era comemorar e celebrar a vida, pois hoje estamos bem e vivos amanhã poderemos não mais existir, e sim só a saudade dos natais que todos estavam vivos e felizes, este foi o comentário do neto mais novo de Filó. A família toda celebrou o natal e aguardava para dar as boas-vindas ao ano vindouro, e com um viva a família encerraram as festas de natal.  

Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis.

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