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Literatura | Contos | A dor e a libertação.

Uma noite escura e chuvosa Samira estava em casa com suas duas filhas Luiza e Luane elas eram crianças de 8 e 10 anos, o marido de Samira era Oswaldo um homem rude e mal-humorado que vivia xingando e mal dizendo a vida. Nesta noite como sempre havia bebido muito no boteco próximo da chácara onde moravam e ao voltar para casa tinha caído no buraco feito pela enxurrada e estava cheio de lama. Quando chegou a mulher deixou as filhas no quarto e foi servir a janta ao marido nesta hora começou um forte temporal onde relâmpagos e trovões riscavam o céu, as crianças com medo chamavam pela mãe que por sua vez tinha medo do marido. O marido xingava e chamava pelos demônios e a mulher rezava e chamava por Deus, neste dilema as filhas estavam chorando e como a casa era muito antiga tinha muitos degraus de um cômodo a outro como estava escura elas não conseguiam chegar até a cozinha onde o pai e a mãe discutiam. Sentaram se no degrau do quarto para sala e ficaram chorando abraçadas uma a outra, Samira com medo de Oswaldo serviu a janta e correu ao encontro das filhas mas a chuva caia fortemente e os trovões parecia que derrubaria a casa ao subir os degraus da cozinha para a casa grande ela errou o degrau e rolou escada abaixo caindo no chão  dando um longo e dolorido grito silenciou o homem xingou novamente e acendeu o esqueiro para clarear já que a lamparina havia apagado com o vento.Ao ver a mulher inerte no chão subiu a escada e foi deitar as meninas continuaram chamando pela mãe e como não havia resposta foram apalpando até chegar e encontrar a mãe no chão, a mulher ainda estava com vida e gemia baixinho Luane a mais velha foi até o fogão pegou um tição de fogo soprou e acendeu a lamparina tentaram levantar a mãe que não conseguia se mexer, chamaram pelo pai mas estava bêbado dormindo, a chuva cessou e as meninas e a mulher permaneciam na cozinha. Luiza teve a ideia de gritar bem alto se alguém tivesse passando pela estrada haveria de escutar.

O homem da camionete ajudaria as meninas.

Luiza gritou pedindo socorro e José que vendia tecidos em sua camionete estava ali justamente para pedir socorro também já que sua camionete havia caído num buraco e não conseguia sair sem ajuda ao ouvir a voz do homem próximo a janela a menina disse por favor nos ajude nossa mãe caiu e se machucou abriram a porta José entrou mas ficou estarrecido ao ver a mulher as crianças não haviam percebido, mas a mulher estava morta tinha quebrado o pescoço. O homem foi ao quarto acordou Oswaldo que ao ver a cena se desesperou, mas era tarde demais. As filhas o culpavam pelo acontecido e agora tinha provas concretas contra ele já que José havia visto dormindo e bêbado. Eles tiraram a camionete do buraco e ainda levaram Samira ao hospital, mas sabendo que estava morta. O médico foi vendo e disse nada a fazer mais. Trataram do velório e as filhas com medo do pai disseram a família não queremos mais viver com nosso pai ele matou nossa mãe. Mas como não havia provas contra ele sendo o fato que ela tropeçou e caiu não teve muito o que fazer a não ser deixar ele com as filhas. Ele depois de alguns dias voltou a beber e a xingar novamente o que fazia as meninas sentirem muito medo, agora elas estudavam a tarde e quando chegavam corriam para fazer as obrigações antes que ele chegasse da lida. Numa dessas noites que ele bebeu muito disse que estava vendo Samira na escada rezando e chamando pelas filhas.

Luane e Luiza sentiam saudades da mãe e achavam que ouvia a mãe rezando.


Depois de alguns anos as filhas já maiores um pouco o pai saiu dizendo que voltava rápido e foi beber, lá pelas tantas quando voltava ouviu a mulher dizendo a ele vou tirar as meninas de você não é justo você fazer elas passarem por isto, se não fosse seu chingos eu ainda estaria aqui cuidando delas, ele disse mulher dos infernos volte pra lá de onde veio eu não tenho medo e vou te empurrar agora se ficar na minha frente, Luane e Luiza correram ao encontro do pai e viram ele falando sozinho mas jurava que a mãe delas estava ali, nesta hora as filhas começaram a rezar e pedir para mãe se estivesse ali que desse um sinal.Foi então que algo muito estranho aconteceu, o fogo do fogão já estava apagado devido o tempo que elas tinham tirado a lenha depois de terminar a janta, más as chamas acenderam e com labaredas fortes começaram a ferver a água da panela que mantinham no fogão, elas sentiram medo e pediram para parar mas as chamas cresciam e cresciam até que Oswaldo com muito medo implorou dizendo se você parar eu juro que nunca mais bebo e vou cuidar das meninas como um pai deve fazer, nesta hora as chamas foram apagando lentamente e elas ouviram o pai dizer se eu voltar a beber quero que volte aqui e queime toda a casa. Vá e descanse em paz nunca mais vou ser o homem ruim que você conheceu. Depois acalmou-se e foram dormir, pela manhã elas observaram que as lenhas estavam queimadas até a metade, mas no mesmo lugar onde elas guardavam antes de acender o fogo. Rezaram pela alma da mãe pedindo paz a ela que sofreu com o marido em vida pagando com a própria vida os erros dele. Desde este dia Oswaldo nunca mais bebeu e foi um pai exemplar para as filhas.



Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis.

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