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Literatura | Conto | A jovem viúva.

     Fernanda mulher de fibra autentica e guerreira, essa mulher deixava os homens de sua cidade loucos por ela. Mas ao contrário do que todos pensavam após ficar viúva com seus 27 anos ela não quis arranjar ninguém e continuava a se comportar como se estivesse com seu marido vivo. Sem nenhum filho tocava a vida em frente, seu esposo lhe tinha deixado um pequeno lava jato onde ela trabalhava com ele, agora sem ele ela empregou seu irmão e seu cunhado, os dois jovens trabalhavam e ela os gerenciava com mãos de ferro do jeito que Charles havia ensinado, quando ele se foi ela ficou numa situação confortável tinha 8 anos de casados só trabalharam este tempo e guardaram dinheiro investiram pouco no lava jato ele dizia que era para construir uma casa melhor e com mais conforto para eles daí arranjariam um filho que era o sonho deles, mas antes eles queriam trabalhar e guardar o dinheiro, assim quando ela parasse de lhe ajudar eles tinham um pé-de-meia. Mas a vida nem sempre é como sonhamos e queremos, um acidente o levou muito jovem e deixou uma jovem senhora viúva.
Os homens ficavam doidos com Fernanda talvez por que ela nunca dava confiança, se dava ao respeito e guardava a memória de Charles intocável, ela era jovem bonita e muito trabalhadora, saia de manhã e só voltava a noite quando seu irmão lhe acompanhava até sua casa, ela tinha uma tia do marido que era solteirona e se ofereceu de morar com ela quando ficou viúva, ela aceitou achava bom ter para conversar e trocar ideias quando chegasse em casa. Marikita era uma mulher com seus 65 anos e estava solteira aposentada e muito bem-humorada, eles brincavam que ela ia morrer e deixar o dinheiro para o governo já que não tinha filhos nem esposo. Mas o amanhã pertence a Deus dizia ela. Quando a mulher chegava em casa à noite Kotinha tinha cuidado de todos os afazeres não deixava nada para Nanda dizia que ela deveria estar cansada, e depois de comer elas iam assistir TV, mas antes ajudava a sobrinha na contabilidade do lava-jato era boa em contas havia sido professora na juventude enquanto morava na zona rural. Depois de fazer as contas era a diversão riam bastante e dormiam, pela manhã a tarefa diária era sempre a mesma. Padaria e depois trabalho a rotina seguia exatamente como o marido havia deixado.
Uma noite quando chegou em casa encontrou kotinha triste, perguntou ela disse fui na padaria buscar o pão da tarde e o moço disse que você vai se casar e eu não sabia, nunca me disse nada, ela abraçou a tia e disse vou nada é conversa fiada deste povo que não tem o que fazer, não se preocupe ainda que estivesse namorando eu jamais lhe abandonaria. A moça abraçou beijou o rosto e as lagrimas escorreram na face, sabe Nanda eu sempre fui sozinha desde que meus pais morreram, minhas irmãs me acham chata por eu gostar de me vestir assim com roupas cobrindo até os pés, mas eu sempre gostei de meus sobrinhos e minha família. Você foi a primeira pessoa a me tratar como ser humano antes de ser tia, com você eu aprendi o que é receber um beijo no rosto, um abraço um bom dia essas coisas mínimas, mas que faz toda diferença. Eu não quero ficar longe de você e tenha certeza não irá se arrepender de deixar eu ficar. A mulher abraçou a tia e disse ficara em minha companhia até uma de nós morrer, não se preocupe seu sobrinho foi meu grande amor e um marido bom. Na manhã seguinte ao chegar na padaria chamou o vendedor e disse umas verdades bem-dita o que deixou o moço muito envergonhado e a pedir desculpas, não é à toa que dizem que com a senhora ninguém tira farinha, o falecido deve ter orgulho até hoje por ter tido uma esposa assim. O dia passou o trabalho foi árduo mas venci disse a seu irmão, hoje vamos jantar lá em casa mano, quero comer um churrasquinho igual ao que Charles fazia, pode assar para mim? Oh claro que vou, assim que jantaram e tomaram um vinho para relaxar kotinha disse a Nanda, eu vou lhe dar um presente, mas só pode abrir quando eu me for, até lá deixa guardado sem abrir no cofre. Combinado, mas não precisa nenhum presente, na cama kotinha pensou ela vai assustar quando ver a quantidade de dinheiro que eu passei para o nome dela, meus sobrinhos de sangue ninguém faz conta de mim, ela é apenas viúva de um sobrinho e me trata com tanto carinho, se fosse outra já tinha pedido meu cartão de banco a muito anos, faz 7 anos estou morando aqui, nunca pediu um real para ajudar em nada, é honesta e trabalhadora merecia arranjar um homem bom ela ainda é muito jovem. 

Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis.

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