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Literatura | Conto | O sitio de dona Felíciana.

       A primavera havia chegado e as flores desabrochavam em todos os lugares, nessa época do ano o sítio ficava lindo, todas as flores cada uma com sua cor e fragrância diferente atraia as mais variadas borboletas e abelhas para colher o néctar das flores, os pássaros pareciam mais felizes, toda natureza parecia sorrir agradecendo a Deus por tanta beleza. Quédima estava radiante iria passar uns dias no sítio com sua avó, ela tinha 18 anos havia terminado os estudos e se preparava para universidade, ia cursar comunicação seria uma repórter muito linda e eficiente, sempre demonstrou muita sabedoria e responsabilidade nas mínimas coisas que se dedicava a fazer, a família orgulhava muito dela, antes de ir para casa de sua avó, a mãe Larissa recomendou que esquecesse os estudos e descansasse  os dias que passariam muito rápido, e depois não teria outra chance de passar 15 dias junto a avó que já andava bem adoentada. A filha concordou em não levar nada a não ser seu notebook, as duas irmãs menores não poderiam ir ainda tinham aulas, dona Felíciana estava fazendo doces caseiros e carnes de lata para sua neta, os terreiros em volta da velha fazenda estavam todos cercados de flores cada uma mais linda que a outra.
      No dia marcado Quédima embarcou pela manhã e deveria chegar na cidade de Felíciana o mais tardar meio dia, o voo atrasou um pouco e quando chegou o telefone estava cheio de ligações perdidas e mensagens, o pai da moça Daniel tinha ligado inúmeras vezes, estava preocupado nunca havia atrasado tanto, foi com muito carinho que a avó recebeu a neta, os tios e tias estavam todos presentes foi um grande jantar em comemoração à chegada dela. Na manhã seguinte acordou cedo e foi regar as plantas e a horta da fazenda, as flores a emocionavam com sua beleza e perfume, na horta mesmo ela comeu umas folhas de alface apenas lavou com água da mangueira e as comeu, cada flor diferente que via despertava um novo sentimento na moça. Radiante com tanta beleza começou a fotografar tudo, os pássaros, flores, borboletas, abelhas, e todos os animais que haviam lá se encantou com ninhada de gatinhos que encontrou escondido em meio as roseiras que formavam um emaranhado de pés, as pétalas das rosas caiam em cima dos gatinhos que brincavam alegremente com elas como se fosse brinquedos. A gata pareceu espantada, mas depois se acomodou aos pés da moça querendo carinho. Cada animal que ela via achava mais inteligente e meigo que o outro neste vislumbre chegou a hora do almoço passou a manhã todinha com a magia da natureza. Após o almoço iriam pescar no riacho que cortava o sítio, ela recordava com saudade cada instante que havia passado ao lado de seu finado avô pescando peixinhos e distribuindo aos gatinhos que acompanhava ela do momento que chegasse até a hora de ir embora, parecia que ela entendia a linguagem dos animais, depois de algumas lagrimas de saudade se refez e foram almoçar. Ao pegar sua vara antiga que estava no mesmo lugar que havia deixado da última vez, lembrou do conselho de seu avô leve iscas de angu e minhocas da terra, ela pegou um enxadão cavou tirou as minhocas e seguiram, pegaram várias dúzias de lambari e tomaram banho de rio, foi uma tarde muito agradável ao lado de sua avó e tias, muitas risadas e lembranças boas do tempo de criança, a noite iriam comer lambaris fritos e mandiocas cozidas, era uma delícia!
         Os dias passaram logo ela tinha que voltar a sua cidade muitos preparativos para a universidade dona Feliciana havia passado dias muito agradáveis em companhia da neta, queria poder repetir mais vezes, mas só Deus saberia quando agora. Quédima estava chorando se despedindo das flores e de cada animal, as fotos já estavam todas nas redes sociais, ainda escreveria um livro contando as maravilhas que existe naquele lugar magico. Ao chegar em casa sua família aguardava com uma enorme faixa de parabéns pelo primeiro lugar no vestibular iria ganhar meia bolsa, comunicação era muito caro as mensalidades, foi muita festa, no próximo mês começaria os estudos, depois de contar e mostrar todas as novidades a sua família, ela lembrou havia preparado uma surpresa a sua mãe, nos dias em que esteve no sítio ela pintou uma tela retratando as belezas da terra natal de sua mãe, ela ficou muito feliz e tratou de colocar moldura, os dias passaram, anos passaram e o dia tão sonhado chegou seria sua formatura, a partir daquele dia poderia fazer o que sempre sonhou, iria trabalhar na TV local seria a primeira repórter da cidade a trabalhar, aliás ela era a primeira da região que conseguiu realizar o feito, por isso a cidade estava em festa, os políticos da cidade estavam dando o maior apoio, mal sabia eles que Quédima não mediria esforços para descobrir os podres deles e levar ao conhecimento da população. Se tinha algo que ela detestasse era político corruptos. Nessa felicidade toda ela se formou e teve uma festa inesquecível sua avó fez questão de comparecer, deixou o medo de avião de lado. Foram dias de prazer que desfrutou ao lado de sua filha e netas. Ao despedir para ir embora Quédima lhe disse ao ouvido, me aguarde lá que eu irei e farei um documentário mostrando sua terra, sua vida, nossa história de família.

Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis.

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