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Literatura | Conto | O Natal de Eliane.

    Uma das coisas que Delba gostava de fazer era trabalhar ao lado de sua irmã Eliane elas trabalhavam estudavam e saiam as festas sempre juntas, nunca se via uma longe da outra, até um dia Eliane arranjar um namorado, elas trabalhavam numa fábrica de móveis e todos os natais havia confraternização, funcionários e patrões reuniam festejavam juntos, os amigos secretos era o momento mais aguardado, neste natal tudo ia ser diferente na vida delas, ninguém imaginava que algo fosse acontecer. A família das moças era uma família bem simples, pessoas humildes e honestas, as duas não tinham mais irmãos, a mãe Anita uma mulher de fibra que enfrentou o preconceito de sua tradicional família quando resolveu casar-se com João um homem trabalhador e honrado, porém negro, sua família como era muito preconceituosa baniu a moça do que chamavam de família, mas no conceito de João uma família não abandonava uma filha na rua por causa de namorar um negro. Ela enfrentou tudo e todos em nome deste lindo amor, se casaram e tiveram duas filhas lindas inteligentes e trabalhadoras. No decorrer dos anos a família de Anita se reconciliou com ela e com o esposo, ambos perdoaram, mas suas filhas tinham essa mágoa com elas, terem sido rejeitadas pelos avós por uma mera cor era o fim para elas. Nesta época do ano que se aproxima o natal as famílias marcam confraternizações e grandes ceias de natal onde toda família se ajunta. Neste natal Delba e Eliane pretendem levar os pais para uma viagem juntamente com todos os funcionários da empresa, elas sempre vão e os pais ficam, este ano será diferente.
       Após mais uma semana de trabalho as filhas chegam em casa sorridentes comentando sobre os móveis que compraram para casa, a mãe ficou feliz com um belo jogo de quarto, estava mesmo precisando, e o pai ganhou os móveis para seu escritório onde ia atender advocacia, havia se formado neste ano estudou depois de suas filhas grandes realizou seu grande sonho. Foi muita felicidade para toda família, após a confraternização que seria uma semana antes do natal eles viajariam para conhecer a capital e também iriam à praia. O dia da festa chegou e as meninas estavam lindas, como sempre só depois de todos funcionários reunidos começavam, assim ninguém ousava atrasar, os patrões falaram um pouco e foram direto ao amigo secreto, nesta hora viria a surpresa que mudaria a vidas das irmãs, um amigo delas solteirão e bem-humorado era sócio da fábrica e estava lá, ele havia tirado Eliane e a esposa do dono tirou Delba, quando foi abrir o presente Eliane assustou era uma joia muita linda e trabalhada em pedras. Que isto Dalmo? Ainda não percebeu o que significa para mim, menina? Ela chorou de vergonha e sem respostas baixou o olhar e disse não posso aceitar, foi muito constrangedor para ela o homem fez uma declaração de amor em público, sem saber o que dizer ela saiu correndo deixando a festa, Delba pediu desculpas e foi atrás da irmã, na manhã seguinte seguiriam viagem toda equipe da fábrica iam juntos, mas Eliane agora não queria ir, foi um trabalho para Delba conseguir que a irmã aceitasse de ir, no caminho ela sentaram próximos aos pais.  

Mas Dalmo foi de mansinho e começou a falar com João, devagarzinho foi conquistando a simpatia do velho, e da mãe, quando chegaram foram almoçar e o pai convidou a sentar na mesa deles, a filha mantinha a cabeça baixa e quase não falava ao contrário de Delba, neste momento o rapaz disse Eliane contou a seus pais o pedido que lhe fiz, ela corou de vergonha de seus pais, mas estes disseram conte-nos rapaz, depois de ouvir toda história pediram desculpas em nome da filha, a noite no quarto as irmãs conversaram, depois de muito esforço chegaram a um acordo, aceitaria falar com ele desde que Delba estivesse presente. Já passava das 13 horas quando reuniram para almoçar, após iriam ao shopping comprar presentes para a confraternização da família de Anita, tão logo saíram o moço aproximou e começou a dizer coisas que os pais gostavam de ouvir de alguém que pretendesse casar com suas filhas, não tendo mais como fugir Eliane aceitou o presente de Dalmo que chorou feito criança e agora ainda colocou um anel junto da bela gargantilha que havia oferecido no amigo secreto. Aos poucos foi conseguindo domar a vergonha que a moça sentia dele, mais tarde foi descobrir ser devido sua posição na empresa, muitas juras de amor e declarações havia sido dita nesta última semana, mas enfim era natal, todos os corações amoleciam nesta época, mas para o homem, era coisa muito séria, muito além de juras de amor, sentia um amor real verdadeiro e honesto por Eliane. 


Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis. 



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