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Literatura | Romance | Casamento em primavera.

       Numa linda manhã de primavera com tantas flores lindas e perfumadas no campo, o sol brilhava em todo seu esplendor dando ao dia uma beleza ímpar, Noemi saia de sua casa para correr os campos todas as manhãs durante toda estação das flores fazia esse passeio enquanto apanhava o sol da manhã, tinha verdadeiro fascínio pelas flores. Ela sempre convidava sua mãe Suely e seu irmão Lúcio para ir colher flores para enfeitar a casa, especialmente nesta manhã iria colher cravos e margaridas para enfeitar a igreja da fazenda, haveria uma festa de casamento de umas das moças filha do vaqueiro Joaquim, Josiane era uma moça bonita e trabalhadora, o casamento seria a tarde e todos estavam nos preparativos, muitas mulheres preparavam desde cedo as carnes e várias qualidades de comida tudo em grande quantidade. Após voltar com os cestos cheios de flores perfumadas e frescas foi direto a capela fazer os arranjos, Marilene se prontificou ajudar em pouco tempo a capela estava linda e com um delicado perfume das margaridas brancas e cravos amarelos, confeccionaram um lindo buquê em branco e amarelo, a noiva estava cuidando da beleza enquanto os preparativos prosseguiam a todo vapor.
      Noemi sonhava um dia se casar ali mesmo na fazenda, sua festa seria linda, ao fechar os olhos se via de noiva toda linda de braços dados com seu Pai Afonso. Mas ainda não tinha namorado tinha completado 17 anos e cursava pedagogia, sonhava alfabetizar muitas crianças principalmente as carentes, ela uma moça rica, mas sempre demonstrava amor e carinho pelas crianças carentes, suas amigas sempre dizia que ela tinha um pé na senzala por gostar das crianças pobres e negras, mas não se importava nem se intimidava com os comentários alheios. Neste dia especialmente as crianças que moravam nas terras de seu pai estariam todas na festa do casamento, ela havia conseguido uma roupinha nova para todas, as meninas iam entrar toda de branco e com flores nos cabelos, os meninos estariam de calça preta e camisa branca, ela havia lutado para conseguir roupas e calçados para todas as crianças achava que elas mereciam ser os destaques da festa depois dos noivos, com isto a meninada toda a chamava de madrinha quase todas crianças da fazenda eram seus afilhados, e os que não eram, queriam ser, devido o carinho e atenção que sempre dedicava a elas, na hora do almoço muitos convidados, parentes e todos os empregados estavam presentes, muitas bebidas e muita algazarra, após terminar era hora de arranjar a noiva e a meninada. Tão logo conseguisse terminar juntamente com Marilene o arranjo das crianças teriam que se aprontar afinal elas seriam madrinhas.
    Na hora do casamento o padre já estava aflito com a demora da noiva, o noivo parecia que ia derreter tanto sudorese, a capela pequena estava cheia  linda, mas de repente resolveram a questão da capela tiraram os tapetes e colocaram no jardim, colocaram todas as flores enfeitando o caminho onde a noiva passaria, improvisaram às pressas e ficou lindo, todos trabalharam em equipe para mudar o ambiente, quando Noemi chegou assustou-se a capela tinha ficado linda,  agora seria no jardim, mas ao aproximar ficou encantada, as crianças formavam uma cerca de proteção por onde a noiva passaria, todas com as flores nas mãos prontas a formar um tapete de flores, mais uns minutos e Josiane chegou, Fabiano aguardava sorridente no altar o padre agora estava sossegado, os convidados estavam ajeitando como podiam, as cadeiras e bancos da capela ficaram para os padrinhos e pais, depois de uma cerimônia demorada todos queriam mesmo era ir para a festa da chegada, muitos doces, bolos, carnes e vinhos, a casa da noiva estava iluminada e várias pessoas aguardava a comitiva dos noivos, uma charrete que foi enfeitada de flores e tapetes vermelhos levava os noivos, após muitas fotos e poses era hora de comer beber e dançar. A festa avançou madrugada e todos permaneceram no local, era hora de Noemi ir embora estava exausta e queria dormir um pouco, despediu-se dos noivos e voltou para casa, no caminho disse a sua mãe, a senhora viu o Jorge como estava belo? Suely disse vi filha, e notei que observava cada passo seu, ela sorriu e pensou quem sabe daqui uns anos serei eu e Jorge que estaremos festejando nosso casamento, eu mesma irei colher as flores no campo e farei uma bela decoração.


Texto de Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele sem autorização prévia e expressa da autora. Os Direitos estão assegurados nas Leis brasileiras e internacionais de proteção à propriedade intelectual e o desrespeito estará sujeito à aplicação das sanções penais cabíveis.

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