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Literatura | Conto | Visões ou sonhos.

    Assim que acordou Dorinha foi contar para sua mãe o sonho que havia tido durante a noite, mãe sonhei com um rio cheio de água suja e com muitas bolhas grandes que levavam pessoas e casas junto, ora filha não se preocupe vai passar foi apenas um sonho. A menina era uma criança inteligente, bonita e alegre todos gostavam dela sempre estava feliz, depois do almoço sua mãe Hortência prepara o lanche para filha levar para a escola, apresse filha, o ônibus está vindo, eles moravam num sitio pouco retirado da cidade onde viviam, as estradas eram de terra vermelha e bastante poeira, quando a menina chegava ia brincar com as irmãs ela era a mais velha de 05 irmãos, 04 mulheres e o caçula era Mateus que tinha 02 aninhos. A tarde passava e a noite chegava e com ela as histórias de dona Hortência que encantava as crianças, depois do banho e de jantar era hora de sentar no chão forrado de esteira a mãe sentava junto e contava histórias até dormirem, era ótimo olhar para os filhos todos dormindo em paz, assim a noite passava e mais um dia chegava, logo cedo as crianças menores brincavam de bola no terreiro de terra vermelha, enquanto Dorinha fazia a tarefa escolar estava no segundo ano. Mãe hoje terei prova preciso estudar, mas minha cabeça está preocupada, hum com que interroga a mãe, sonhei o mesmo sonho, não deixe os meninos irem para o lado do rio, filha não se preocupe foi um sonho ruim, logo vou contar uma história bem bonita para você dormir bem.
Na escola a menina não se sentiu bem e a professora foi leva-la em casa, quando chegou fez umas perguntas para a mãe da criança que assustada respondeu, ela se queixou de uns sonhos ruins que anda tendo. Mas nada de dor ou coisa assim, olhe sua filha anda vendo coisas na sala de aula, tipo rios transbordando de água suja e pessoas no meio, Jesus o mesmo que me contou. Pois bem amanhã não deixe ela ir se acontecer de novo, tão logo a professora se foi, a filha contou para a mãe que havia visto era real não um sonho. A mulher muito preocupada chamou o marido que levou a filha ao posto médico mais próximo, não se preocupe é uma faze toda criança tem imaginação fértil. Anoite a menina ouviu as lindas histórias da mãe e adormeceu logo, teve o mesmo sonho agora mais real que nunca ela podia ver as pessoas e reconhecer, eram seus amiguinhos da escola maternal que sempre brincava com ela, todas as crianças e até uns professores gritavam por socorro, entre gritos sua mãe acordou correu até o quarto abraçou a filha que chorava descontroladamente. Calma filhinha estou aqui. Os dias passaram tudo se repetindo e sempre com mais clareza era uma visão não um sonho ela tinha certeza, quando foi para a escola ficou observando as curvas que o rio fazia e deu conta que uma curva era justa onde fica a escola, havia um rio bem caudaloso que circulava a cidade.
Estava perto de todos acreditarem nela e pararem de chama-la de louca, Dorinha disse para a mãe, vai acreditar quando ver eu estou avisando tire todos da escola vai encher o rio e levar tudo. Filha por favor de novo não, e assim os dias passaram e a menina aflita rezava pra que não tivesse ninguém na escola quando as águas borbulhassem, todos olhavam pra ela com olhos de acusação mas era dia de acabar com isto, quando todos estavam na escola inclusive ela do nada começou uma chuvinha mansinha, ela correu falou professora por favor vamos embora libere todos, vamos morrer aqui se ficarmos, mas a professora não deu atenção de repente um estrondo muito alto, raios caiam escureceu tudo, chovia muito Dorinha temia por sua família em casa mas o perigo era ali, podia sentir outro estrondo agora mais alto é a represa que fornece energia para cidade rompeu e desceu enchendo o rio e levando tudo casas animais tudo que estivesse no caminho, a menina fechou os olhos rezou e foi ajudar a acalmar os menores, mas um estrondo agora era as casas da beira do rio que eram arrastadas muita gritaria a água começou invadir a escola todos em desespero rezavam gritavam, Dorinha reuniu os menores em cima de uma mesa e se agarrou a ela e ficou pedindo Deus socorre nós as criancinhas. Muitas pessoas morreram, e ficaram muitas famílias desabrigadas, depois que tudo terminou os adultos começaram a questionar a menina como ela sabia de tudo sendo uma criança de 09 anos, ela disse eu ví avisei ninguém acreditou, mas tudo bem eu sei que sou criança, e assim sendo minhas palavras não tem valor diante de um adulto. Mas no fundo ela sabia era uma criança muito especial, daí em diante todos respeitavam as opiniões dela, e toda cidade devastada pela enchente começou a reerguer-se, e com ela os sonhos de Dorinha ou seriam visões?
  
Texto escrito por Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer natureza ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte desta obra, sem autorização expressa da autora sob pena de violação das Leis Brasileiras e Internacionais de Proteção aos Direitos de propriedade intelectual.



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