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Literatura | Conto | O milagre

Quando João despertou do coma era manhã de fevereiro, mês quente e muito chuvoso, foi então que perguntou para a enfermeira, onde estou quem sou eu? Ane respondeu oi João que bom que acordou faz 54 dias que está aqui, você não se lembra mesmo de nada? Não ele respondeu, vou contar a você, mas primeiro vou ligar para sua esposa e dar as boas novas. Ane ligou para Luiza esposa de João contou o acontecido e voltou para o quarto para contar a história para o homem. Então você estava viajando quando sofreu um acidente, é motorista de caminhão e viaja o país todo lembra, faz entregas de gás e por um milagre alguém socorreu você. No final do mês de dezembro depois do natal alguém chegou com você aqui deixou e desapareceu ninguém nunca soube quem foi, procuramos por toda parte, mas não foi encontrada, só sabemos que foi uma senhora muito elegante, única pista dela que tivemos foi que ela socorreu outra vítima na cidade vizinha muito elegante como aqui.
Estranho o homem falou não me lembro de muita coisa, mas lembro do caminhão pegando fogo e da explosão e eu senti em meu coração que ia morrer e chamei por minha mãe, mas ela já é falecida, a enfermeira disse, pois, é só sabemos isto trata de uma senhora muito elegante fina. O moço ficou pensativo mas devia ser confusão por causa do coma imaginou, logo a esposa e as filhas dele chegaram muito alegres agradecidas a Deus por mais um milagre, pois o médico havia dito para a família, só outro milagre poderia salva-lo. Cristine a filha mais velha abraçou o pai e disse em seu ouvido, pai sonhei com a vovó ela te mandou um beijo, Aline a mais nova abraçou também e disse eu te amo pai. As horas passaram terminado o horário de visitas João ficou no quarto perdido nas lembranças que desejava recupera-las a qualquer custo. O médico entrou no quarto todo falante e disse vamos fazer uns exames para constatar que está mesmo bem, acho pouco provável que depois de tudo que passou, pelas cirurgias que foi submetido, e por este coma tanto tempo você consiga sair sem nenhuma sequela, portanto esteja preparado, não posso te dar falsas esperanças. Mas o homem sentia que estava bem única coisa que não havia sentido era a perna esquerda, mas tudo bem sem perna se vivi disse baixinho.
Passados uns dias teve alta e foi para a casa ainda não conseguia andar precisaria fazer muitas seções de fisioterapia. Agora tudo era festa os amigos, parentes, muitos grupos de orações que estavam orando por ele todos compareceram. A empresa para qual trabalhava havia lhe indenizado e de gruja o aposentara pois era velho de casa, idade mesmo de descansar, mas uma coisa não deixava João em paz quem seria a mulher, precisava recordar, pegou um álbum antigo da família e começou a folheá-lo, seu coração disparou chamou a esposa lagrimas cobriam o rosto, Luiza sem entender disse o que houve, não está bem? Ele mal conseguia falar respondeu veja a foto de minha madrinha ela é tia e madrinha, elegante, fina bem vestida como descreveu a enfermeira e os médicos, Luiza não deu ideia disse tá delirando homem quantos anos faz que já faleceu como poderia ser ela, tudo menos isto João, mas as filhas acreditaram no pai e concordaram deve ser mesmo ela, a noite chegou todos dormiram menos João encabulado com a ideia da foto, Luiza se debatia na cama e sentou-se bruscamente, balbuciando dizia sim eu acredito, agora eu acredito, mas deixa eu dormirem paz, o marido acordou a esposa que chorando disse eu vi a madrinha Cotinha foi ela que salvou você da explosão disse que iria morrer quando gritou por sua mãe, ela atendeu o pedido de sua mãe e o salvou , reze por ela em agradecimento.


Texto escrito por Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer natureza ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte desta obra, sem autorização expressa da autora sob pena de violação das Leis Brasileiras e Internacionais de Proteção aos Direitos de Propriedade Intelectual.


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